Verdades

Por enquanto, são só borboletas. Mas não voam ainda… não. Elas rastejam. Me arrastam ao final do caminho, de fininho me seguram pela mão. Me fazem andar mais que o todo. Mas, no fundo, é pouco.

Quero mais que só voar, bater asas. Tudo bem rastejar até isso, mas quero mais. Quero correr, cortar o vento, me jogar sem medo e desbravar espaços. Quero os meus passos sendo glorificados e lembrados. Quero mais.

Por enquanto, no entanto, só borboletas. E me avisam as horas certas e erradas, me deixam agir como se fosse nada, me deixam caminhar e levar tombos. Elas me medem ao passo que peço medida, mas não me permito medir sozinha, existe o medo. Ainda adulta, eu admito, existe o medo, e eu entendo agora: é porque ainda me jogo no sonho. É porque ainda sonho e a maioria só pensa.

Por enquanto, só quero o querer da coisa. Por enquanto, é reestrutura. É construir meu alicerce de novo, é sair da casca do ovo, é brilhar devagarinho até que chegue, mas não de cegar. Até que tudo isso, que há de chegar, seja real. Até que eu crie coragem e tal realidade saia do papel.