O Que Ainda Restou

A escrita da Bia Carvalho – Bianca Carvalho pra mim – é fantástica. Por ter sido uma das primeiras escritoras brasileiras com quem realmente tive contato, acompanho desde o começo de carreira e li praticamente todos os livros físicos que publicou – tendo sido sua leitora-beta e já trabalhado com ela em uma Bienal, inclusive. A questão é que, mais uma vez, me encantei por seu livro. O Que Ainda Restou é completo, apesar de ser apenas o primeiro item da duologia MR.

Como boa leitora, já sabia que encontraria paixão, ação, mistério e uma boa dose de suspense. No entanto, OQAR surpreende também pelas cenas adultas – mais violentas e com um pouco mais de intimidades reveladas. Ainda é um livro pra todo leitor que curta romances, mas finalmente – ou melhor – definitivamente saiu da linha de romances floreados (como vejo acontecer gradualmente, desde os dois últimos livros, preciso até reler pra comentar).

Arthur Montenegro e Christine Abranches abrem uma história interessante não só no campo principal – o casal de melhores amigos que passa por todas as provações imagináveis por um amor descoberto apenas de um lado – mas no secundário, com pano de fundo convincente e personagens que, minha nossa, só agregam valor à narrativa – destaque todo de Mário e Santiago – ganchos perfeitos e utilização no desfecho praticamente perfeita.

A organização MR ainda é um mistério, sabe-se apenas que sequestra candidatos – segundo as próprias escolhas – e os transforma em soldados, especificamente treinados pra matar. 48, como Arthur é denominado, tem agora uma missão absurda – desfazer os planos que por trás de uma empresa de fachada incluem práticas extremamente ilícitas e surreais – planos de dominação em caráter mundial. Obviamente, nada fácil, sobretudo precisando redescobrir a própria identidade. É sob o apoio de Christine – apesar de dado como morto – que o personagem tenta triunfar.

Bem descrito, bem posicionado e de uma criatividade muito, muito visível. OQAR vale toda leitura e encanta por cenas que garantem surpresa até a última página. Nada longe do esperado, pra quem já leu Bia Carvalho. No entanto, é indispensável.

A edição é da Qualis – tendo sido primeiro publicado de forma independente – e encontrei alguns erros na digitação, mas nada que atrapalhe o desenvolvimento.

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